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Única basílica do mundo dedicada a São Geraldo, em Curvelo, passa por restauração

Intervenção no teto para retirar marcas do tempo mostram beleza da obra dos irmãos italianos Victorio Giulio e Gino Goretti
Intervenção no teto para retirar marcas do tempo mostram beleza da obra dos irmãos italianos Victorio Giulio e Gino Goretti

Curvelo – O patrimônio cultural e religioso de Minas sempre reserva surpresas para quem chega de longe e, muitas vezes, até para os moradores das cidades que abrigam igrejas, capelas e outros monumentos de relevância. Em Curvelo, na Região Central, a 170 quilômetros de Belo Horizonte, a restauração da Basílica de São Geraldo, única no mundo dedicada exclusivamente ao padroeiro das mães e seus filhos, retira as marcas do tempo e encanta pela beleza, cores e formas das pinturas parietais – feitas diretamente na parede sobre o reboco – obra dos irmãos italianos Victorio Giulio e Gino Goretti, na década de 1930. Os artistas eram primos de Santa Maria Goretti, a jovem mártir canonizada pelo papa Pio XII em 1950, e trabalharam também no convento da Igreja de São José, no Centro da capital.

“Muita gente da cidade desconhece a história deste santuário ou sabe pouco da sua importância para a Igreja”, diz o reitor da basílica, o padre Paulo Roberto Gonçalves, envolvido com o serviço no interior do templo – a cargo do Grupo Oficina de Restauro, de BH – e com a programação da festa do padroeiro, que será realizada de 30 de agosto a 7 de setembro. “No ano passado, recebemos cerca de 50 mil visitantes durante a Oitava, que são os oito dias de preparo para a celebração”, conta padre Paulo, dando a dimensão do movimento no município de 75 mil habitantes.

A expectativa é de que a intervenção, a maior na vida do templo, fique pronta em três anos. “Em 2018, vamos comemorar o centenário e a festa vai ser maior ainda”, garante o reitor com entusiasmo. Ele lembra que toda a recuperação da basílica, título concedido pelo Vaticano em função da grande presença de romeiros, transcorre com recursos da comunidade e também da Província Redentorista (Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo), à qual a igreja está vinculada.

Segundo a especialista e coordenadora do projeto de restauração da basílica Maria Regina Ramos, a Marrege, as galerias laterais foram as primeiras a receber intervenções. Na do lado direito, uma novidade. Ao ver que a pintura recuperada já apresentava alguns danos, devido ao contato das pessoas durante as missas, ela sugeriu a colocação de vidros, de forma a impedir mais degradação. O mesmo será feito do lado esquerdo.

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Basílica permanece aberta aos fiéis e Geraldos e Geraldas sempre vão pedir bênçãos

ESTILO Nas duas pontas das galerias, há altares de madeira que despertam atenção de imediato. No lado direito, à frente, está o de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, com um florão e raios dourados, tendo embaixo a pintura das Bodas de Caná, e perto da entrada principal o de Nossa Senhora da Piedade. No outro lado, ficam os da Sagrada Família e de Cristo Crucificado. Os fiéis notam que as cores ressurgiram e dão mais luz à igreja localizada no Centro da cidade. Os maiores problemas estavam nas manchas e fungos devido à infiltração de águas pluviais, perdas na pintura e reboco fragilizado. “Havia também muitas gambiarras aparentes de luz e som, que foram embutidas.”

Marrege explica que, atualmente, trabalha no restauro da capela-mor do templo, com previsão de término desse serviço até o fim do ano. “Depois, vamos para a nave e o coro”, afirma. Olhando as paredes concluídas, a restauradora conta que Minas guarda outros tesouros religiosos além do barroco das cidades coloniais. “No lado de fora da Basílica de São Geraldo, temos o estilo neorromânico, anterior ao gótico e menos rebuscado, enquanto na parte interna (pinturas das paredes e abóbadas do teto) vigora o estilo neogótico”, diz Marrege, louvando a atitude dos redentoristas de preservar o seu patrimônio.

A restauradora destacou a qualidade dos vitrais existentes no alto das paredes sobre as janelas da nave e capela-mor e no coro, todos produzidos pela tradicional Casa Conrado, de São Paulo, fundada em 1889. Outro destaque do templo está nos ladrilhos hidráulicos, formando vários tipos de tapetes. “É muito difícil hoje em dia encontrar um piso tão completo assim. Em muitas igrejas mineiras, eles foram retirados, o que é uma pena, pois é típico dessas construções. O daqui está bem conservado, mesmo com quase um século de uso.”

RELIGIOSIDADE Durante a obra, a basílica mantém as celebrações como missas, casamentos e batizados. Padre Paulo lembra que há romarias constantes no período que antecede a Oitava de São Geraldo. “Temos muitos paroquianos batizados com esse nome em homenagem ao santo”, diz o reitor.

É comum encontrar os xarás do santo, que, curiosamente, não é o padroeiro de Curvelo – a honra é de Santo Antônio. Ouvindo as explicações do padre sobre as obras, Geralda Barbosa, de 53 anos, e a mãe Geralda da Cruz, de 77, revelaram muitas graças alcançadas por intercessão de seu protetor. “Ele é maravilhoso e devo tudo a São Geraldo e à Virgem Maria”, afirma a mãe, com emoção.

Declarando-se um “pintor aposentado que trabalhou na basílica”, Geraldo Alves de Oliveira Filho, de 77, diz que conheceu Victorio Goretti quando ele retornou à cidade, em 1945, e orientou sobre a conservação das pinturas. “Gostei tanto daqui que trouxe mais sete irmãos para trabalhar comigo.” Ao lado, Geralda Pereira de Jesus, de 74, reafirmou a sua devoção e o pescador Geraldo Pereira Soares, de 48, agradeceu. “Fui picado por uma cobra jaracuçu e fiquei 16 dias internado. Me salvei graças a São Geraldo”, assegurou.

PROGRAMAÇÃO

30 de agosto – 19h – Abertura da Oitava, com missa presidida pelo arcebispo de Diamantina, dom João Bosco Óliver de Faria, na Praça da Basílica
30 de agosto e de 1º a 5 de setembro – 18h30 – Procissão com a imagem de São Geraldo
6 de setembro – 19h – Missa vocacional presidida pelo promotor vocacional dos missionários redentoristas padre Edson Alves da Costa
7 de setembro – Logo após a missa das 15h, haverá procissão solene com a imagem de São Geraldo

Holandeses iniciaram história de fé

Em 1906, chegaram a Curvelo os padres holandeses Tiago Boomaars e José Goossens e o irmão Filipe Winter, fundadores do Santuário de São Geraldo. Seis anos depois, eles conseguiram comprar um terreno de quase 5 mil metros quadrados. Na sequência, chegaram outros religiosos e leigos, entre eles, o irmão redentorista WerenfridoVogels, criador de uma escola para ensinar os ofícios de carpinteiro e pedreiro, os quais trabalharam na construção do templo.

Em 1916, ainda com o santuário inacabado, foi rezada a primeira missa, e dois anos mais tarde a edificação ficou pronta, incluindo a nave central e capela-mor. As galerias laterais foram erguidas entre 1938 e 1939, na administração do padre Paulo Rutten. Na comemoração dos 25 anos de chegada dos redentoristas, em 1931, o altar-mor ganhou mármore de Carrara. A imagem venerada pelos devotos é de madeira e foi entalhada na Holanda, sendo doada por um devoto anônimo.

São Geraldo viveu no século 18 – nasceu em Muro, na Itália, e morreu em 16 de outubro de 1755. Foi canonizado em 11 de dezembro de 1904, em Roma, pelo papa Pio X.

Fonte: E.M

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