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PESQUISA DE PERFIL DA DEMANDA TURÍSTICA REAL DA OITAVA DE SÃO GERALDO, EM CURVELO (2019)

A primeira pesquisa dedicada a conhecer um pouco mais sobre os turistas/visitantes do município de Curvelo foi realizada durante a Oitava de São Geraldo em setembro de 2019. Planejada e executada pela turismóloga Maria Lúcia Fernandes, contou com a parceria com a Basílica de São Geraldo e a Cáritas Paroquial Imaculada Conceição. A “Pesquisa de Perfil da Demanda Turística Real da Oitava de São Geraldo, em Curvelo-MG” envolveu 11 voluntários da cidade, os quais entrevistaram um total de 297 turistas/visitantes, sendo que 294 dos questionários aplicados, foram validados. Ao longo dos dias 01, 07 e 08 de setembro de 2019, os voluntários se dividiram por turnos – manhã e tarde – para aplicarem o pequeno questionário de 21 questões, em maior parte objetivas. Foram feitas perguntas mais abrangentes com o intuito de introduzir este hábito de pesquisa ao evento, sem prejuízo aos entrevistados e entrevistadores. De modo geral, este primeiro esforço em levantar dados sobre a demanda turística do evento, foi bem avaliada por todos os envolvidos.

Apesar de Curvelo ser uma cidade com muitos outros atrativos, a Oitava de São Geraldo foi entendida como referência por se tratar de um evento cultural registrado como Patrimônio Imaterial do município de Curvelo (RI 01/2018). Além disso, os Redentoristas se mostraram muito receptivos à ideia de realizar a pesquisa. Mas, certamente, pesquisas como essas devem acontecer também em âmbito municipal, abarcando outras atividades culturais e por um tempo de análise superior. Recomenda-se que sejam feitas anualmente, pois elas possibilitam identificar acertos, gargalos e potencialidades na oferta turística, proporcionando melhor planejamento e desempenho da atividade. Sem dúvida, são capazes de dar subsídio a projetos estratégicos para o mercado, ao caracterizar os turistas, conhecendo seus hábitos durante a estadia, seu perfil socioeconômico, etc.

Em Curvelo, não há divulgação de pesquisas anteriores a esta, voltadas a conhecer o perfil do público frequentador da Oitava de São Geraldo não residente. Portanto, a pesquisa é uma referência para futuras investigações, abre caminho e inspira novos trabalhos. Ela é também considerada inovadora, pois integrou a própria comunidade no processo de investigação. Outro aspecto  interessante durante a realização desta pesquisa, foi o encaminhamento dos voluntários para que uma pesquisa de opinião direcionada aos curvelanos e residentes, fosse também aplicada após o evento. Assim, em abril de 2020, foi realizada uma sondagem complementar via formulário online, que procurou ouvir o que a comunidade pensa sobre o evento, sobre a estrutura atual para receber os romeiros, a relevância do evento e se acreditam que a demanda turística vem reduzindo.

A seguir, os dados serão apresentados em síntese.

Perfil, comportamento e opinião dos turistas/visitantes 

Dentro da amostra de 294 entrevistados, identificaram-se 60 municípios de origem, espalhados por 05 estados além de Minas Gerais. Abaixo, o mapa auxilia a interpretação:

Nota-se que a influência do evento, dentro da amostra, fica muito adensada para municípios que se encontram num raio de aproximadamente 300 km de distância de Curvelo. O que pode justificar a questão do tempo de permanência desses turistas por aqui: 199 – frequentavam somente por um dia; 62 – por dois dias; 10 – por três dias; 01- por quatro dias; 02- por cinco dias; 15 – durante toda a Oitava; e 05 – responderam que não sabiam. Aqueles que responderam frequentar toda a Oitava, são já bem conhecidos pelos curvelanos, são romeiros de Belém do Pará, que por aqui se hospedam dias antes da oitava começar. Mas em 2019 tivemos pessoas frequentando pela primeira vez, foram 72 pessoas, de origens variadas, incluindo cidades mais distantes, como foi o caso de uma romaria do Rio de Janeiro, cujo tempo de permanência também mais elevado do que de costume: 03 dias. Portanto, quanto maior a distância da cidade de origem desses turistas, maior será o seu tempo de permanência.

E sobre o desejo de retornar no próximo ano? Pois bem, 284 dos turistas/visitantes responderam que tinham a intenção de voltar, e dentre esses, 257 gostariam de trazer mais alguém que não tinha vindo junto naquela vez. Muitos dos fiéis frequentam o evento há mais de 10 anos, alguns se mantêm firmes na fé há 40 anos.

Questionados sobre os serviços utilizados aqui na cidade durante o seu tempo de estadia, os turistas responderam em grande maioria (62%) terem utilizado serviços relacionados a alimentação, como restaurantes, lanchonetes, padarias, bares e barraquinhas. Em relação aos 27% dos turistas que disseram ainda não terem utilizado nenhum serviço, se deu em razão de a entrevista ter acontecido nos primeiros minutos em que essas pessoas chegaram na cidade, ou seja, infere-se que não houve tempo suficiente de consumir ou demandar por alguma coisa. Menos de 10% utilizaram hotel, entende-se que isso aconteceu em razão do pouco tempo de estadia desses turistas em nossa cidade.

Serviços utilizados

Fonte: Demanda Turística (FERNANDES, 2020)

Ainda foi questionado aos visitantes sobre eles terem trazido alguma criança como acompanhante: 197- disseram que “Não” e 97 – “Sim”. Também buscou entender mais sobre os meios de transportes utilizados.

Meios de transporte utilizados para chegar a Curvelo

Fonte: Demanda Turística (FERNANDES, 2020)

Daqueles que responderam positivamente à questão sobre trazer crianças, notou-se que a maior parte dos que estavam responsáveis por crianças de colo (a partir de 4 meses de idade), vieram em romaria. Este é um dado importante a ser considerado numa perspectiva de investimento e melhorias na infraestrutura e nos serviços para melhor receber aos visitantes.

Os turistas foram convidados avaliarem a infraestrutura da Basílica (Santuário, loja, sala de milagres, sanitários, barraquinhas, etc), e a maioria avaliou de forma positiva (89%). Alguns pontuaram situações que podem ser melhoradas, como por exemplo, os sanitários. Outros ainda relataram dificuldades para adquirir alguns produtos, como foi o caso de idosos que enfrentaram dificuldades de acesso à água mineral porque quase não havia ambulantes na praça, e eles apresentavam mobilidade reduzida.

Por fim, foi perguntado aos turistas/visitantes se eles conheciam algum canal de comunicação da Basílica de São Geraldo, dos 32 que responderam que conheciam, notou-se o Site e o Facebook como os de maior peso.

Pesquisa complementar

Em abril deste ano, a “Pesquisa de Percepção sobre a Oitava de São Geraldo” foi divulgada através da  Florescer Projetos, empreendimento de consultoria especializado em Turismo e Empreendedorismo Social, com apoio da Basílica de São Geraldo. A pesquisa ficou disponível até o final de maio e contabilizou 163 questionários respondidos por moradores de Curvelo e seus distritos. Confira a distribuição de faixa etária por bairros, dos respondentes:

Faixa etária por bairros dos respondentes

Fonte: Percepção, FERNANDES (2020).

A participação nesta pesquisa foi voluntária, anônima e não necessitava ser católico para participar. O único critério solicitado foi o/a respondente residir em Curvelo há pelo menos três anos. Portanto, foram recebidas respostas de residentes não católicos (Evangélicos, Protestantes e ateus), e isso é algo que reforça a ideia de que a Oitava de São Geraldo é entendida como evento cultural de nossa cidade.

Esta sondagem foi bastante favorecida pelo contexto de pandemia, em que estamos desacelerados, em casa, mais ativos na internet e mais disponíveis para pesquisas online. Ela buscou incentivar que os residentes avaliassem vários aspectos do evento a partir de escalas (de pouco a extremamente), com opção de se abster, por talvez não saber responder.

Quando os respondentes foram perguntados sobre a percepção deles em relação a importância da Oitava de são Geraldo para os Redentoristas, cristãos católicos, romeiros, ambulantes, comerciantes locais, meios de hospedagem, empresas de suporte a eventos e arrecadação de impostos, em maior parte avaliaram ser de extrema importância. Sendo que por outro lado, avaliaram ser de média importância para os curvelanos de outras religiões.

Em outro momento foi solicitada a avaliação sobre a estrutura da Basílica, organização e preparação por parte também da Prefeitura Municipal de Curvelo. Sendo assim, os respondentes avaliaram muito bem a Basílica, nos aspectos de divulgação do evento, celebrações, sinalização, ornamentação, atrações, barracas de alimentação, acolhida e sala de milagres. Por outro lado, demonstraram insatisfação quanto ao espaço destinado a estacionamento dos ônibus, sanitários, local de apoio aos romeiros, acessibilidade e limpeza. Sobre a opinião deles acerca de diminuição ou não da demanda turística nos últimos anos,  54 % acreditam que “Sim”, 23,3% acreditam que “Não”, enquanto 17,8% pensam que “Talvez” e os outros 4,9% não souberam opinar.

Foi deixado ao final, um espaço para que estes respondentes pudessem escrever sobre algo que talvez não tivesse sido mencionado no questionário e que quisessem falar sobre. Bem como foi dado espaço para críticas e sugestões sobre este tipo de pesquisa. Foram então enviadas 52 respostas acerca daquilo que gostariam de deixar registrado, nelas vieram complementos das respostas fechadas, em que de modo anônimo, os residentes puderam expressar a preocupação com o “bem receber” aos visitantes. Muitos trouxeram pontuações relevantes para a Basílica e a Prefeitura Municipal de Curvelo repensarem o evento, até mesmo considerando a pandemia. Sobre o questionário, os respondentes sentiram falta de questões específicas da pandemia e também sobre a Oitava de São Geraldo ser Patrimônio Imaterial. A intenção desta pesquisa era em caráter complementar a outra pesquisa realizada em 2019, quando não havia toda a crise, portanto, buscou separar os cenários. Sobre a Oitava de São Geraldo ser um bem registrado, foi importante para a pesquisadora deixar que isto fosse apontado pela própria população, inclusive alguns citaram falhas no que entendemos por educação patrimonial, tarefa da prefeitura. Notou-se uma satisfação muito grande por parte dos respondentes em poderem contribuir na pesquisa, o que motiva a continuar as investigações e dar voz aos curvelanos, algo que nem sempre acontece.

As pesquisas existem para auxiliar no planejamento e gestão da atividade turística, trazendo elementos estratégicos. Por isso, novamente, estudos como esses precisam ser constantemente realizados em Curvelo, sobretudo, serem considerados, não somente pela Basílica, mas também pelo executivo, pelo Circuito Guimarães Rosa, pelas entidades da sociedade civil, entre outros agentes de desenvolvimento local e do estado de Minas Gerais. Por fim, podemos concluir que as pesquisas em turismo apresentadas aqui, são pioneiras e 100% realizadas por curvelanos. Elas estão sendo apresentadas propositalmente no período tradicional da Oitava de São Geraldo, e também no mês dedicado ao Turismo. Que seja inspiração para muitas outras ações nesse sentido!

Currículo síntese da pesquisadora responsável:

Maria Lúcia Fernandes

Maria Lúcia Fernandes (31 anos), é curvelana, é Bacharel em Humanidades e Bacharel em Turismo, pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), em Diamantina, onde realizou importantes pesquisas no campo do turismo e planejamento urbano, incluindo publicação de livro referência para atualização do Plano Diretor de Diamantina, junto a outros grandes pesquisadores. Considerada aluna de excelência acadêmica pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), participou do Programa de Qualificação Internacional em Turismo, Hotelaria e Gastronomia, promovido pelo Ministério do Turismo do Brasil, em parceria com a Universidade de Alicante, na Espanha, cujo objetivo era trazer inovação ao turismo brasileiro, de maneira a contribuir para a competitividade do país. Tornou-se microempreendedora dedicada a projetos e pesquisas em Turismo e Empreendedorismo Social ainda enquanto especializava em Projetos Sociais e Políticas Públicas (SENAC – São Paulo), quando também teve o projeto “Arte do Sertão Mineiro” aprovado pela CODEMIG, executado na Cooperativa Dedo de Gente (2018-2019). Hoje desempenha a função de Assessora Técnica Sênior de Turismo e Lazer no Instituto Guaicuy, voltada ao trabalho de construção da matriz de danos junto às pessoas atingidas pelo rompimento da Barragem da Vale em Brumadinho-MG, nas áreas 4 (Curvelo e Pompéu) e 5 (todos os municípios no entorno da Represa de Três Marias).  Maria Lúcia também se envolve em trabalhos voluntários, atualmente é agente de projetos na Cáritas Paroquial Imaculada Conceição.

Para contato: florescertesf@gmail.com ou pelo Instagram @florescerprojetos

REFERÊNCIAS

FERNANDES, Maria Lúcia S. PESQUISA DE PERFIL DA DEMANDA TURÍSTICA REAL DA OITAVA DE SÃO GERALDO, EM CURVELO-MG (2019). Relatório Simplificado. Curvelo, 2020.

FERNANDES, Maria Lúcia S. PESQUISA DE PERCEPÇÃO SOBRE A OITAVA DE SÃO GERALDO (2020). Relatório Simplificado. Curvelo, 2020.

PREFEITURA MUNICIPAL DE CURVELO, RELAÇÃO COMPLETA DOS BENS CULTURAIS TOMBADOS E INVENTARIADOS DO MUNICÍPIO DE CURVELO/MG. Disponível em: http://curvelo.mg.gov.br/site/wp-content/uploads/2014/06/Lista-de-Bens_Divulga%C3%A7%C3%A3o_Ex.-2021.pdf

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