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SONETO PARA CORRUPTOS

Roubou o anel da mão que fez o parto
e bateu a carteira do parteiro,
deu arrastão na turma do berçário,
furtou o leite do irmão de peito.

Este promete! Há de ser prefeito,
disse o padrinho; vai ser deputado,
previu vovô – e mais: não satisfeito,
ele será um chefe de estado!

Você saiu melhor que a encomenda:
gigolô da política – empreiteiro;
rufião de políticos – banqueiro;

seu epitáfio vai ser um poema:
mamou nas tetas de Dona República,
comeu sozinho a coisa que era pública.

(Afonso Guerra-Baião)
É professor e escritor. Escreve poemas, contos e crônicas, além de estar às voltas com a construção de um romance. Traduz poemas do francês e do inglês. Colabora em jornais e blogs. Mora em Curvelo-MG e é torcedor do Galo.

P. S. Este soneto procura “homenagear” todos os corruptos e corruptores que, historicamente, protagonizam a narrativa do “capitalismo mafioso” nos anais de nossa vida pública. Ele não é filho único nem tem um alvo exclusivo: este soneto faz parte do meu LIVRO DOS INSULTOS, que está em adiantado estado de construção. Os alvos dos xingamentos são os mais variados e cotidianos: um vizinho chato, um motorista irresponsável, um fofoqueiro, um chefe autoritário, um puxa-saco, e por aí vai. A intenção é oferecer ao leitor um arsenal catártico que, verbalizado em decassílabos, agregue à contundência dos xingamentos alguma harmonia e uma dose de humor. Quem sabe, com a amostra grátis deste SONETO PARA CORRUPTOS, não consigo atrair a atenção de algum editor esperto?

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