A garota tinha lido o conto de Artur Azevedo, em que um pai finge não ouvir o filho que lhe pergunta o que é um plebiscito – finge, despista, tergiversa, até conseguir consultar um dicionário e voltar triunfante com a resposta, posando de verdadeiro sabe-tudo. A nossa menina, então, resolve ...
Leia Mais »O PRÍNCIPE E O FEITICEIRO
Era uma vez um príncipe que acreditava em tudo, menos em três seres: pobres, rebeldes e filósofos. Seu pai dizia que eles não passavam de lendas e, de fato, não havia vestígio de nada disso nos paços e nos jardins da corte real. Porém (ah, porém!), um dia, como parte ...
Leia Mais »REVELAÇÃO DO PÁSSARO
Mal começa o inverno, a criança me pergunta: – Quantas andorinhas fazem o verão? – Não sei. Mas Tio Borges me contou, numa história, com quantos passarinhos se faz o Rei dos Pássaros. Já no berço, a criança pede: – Me conta a história do ...
Leia Mais »KAFKA, A MENINA E A BONECA
Meu avô costumava dizer que os piores sonhos são os bons, pois a gente fica decepcionado ao acordar deles, ao passo que nos sentimos felizes por despertar de sonhos ruins que, por isso, são os melhores. Acontece que, às vezes, a realidade é tão cruel que dispensa os ...
Leia Mais »VIAGEM AOS SEIOS DE DUÍLIA
O título dessa crônica é o de um conto de Aníbal Machado, que li quando cursava o ensino fundamental em Ponte Nova. O enredo é a história de um funcionário público que, ao se aposentar, deixa a Capital Federal (então, o Rio de Janeiro) e volta ao interior de Minas, ...
Leia Mais »O DEUS DAS PEQUENAS COISAS
Ele não deixa pegadas na areia, ondulações na água, nem imagem nos espelhos. Ele, o deus das pequenas coisas, intitula e preside a narrativa com que Arundhati Roy conta uma história passada em Ayemenem, pequena cidade no sudoeste da Ìndia, no ano de 1969. É ele, o deus dos arrepios ...
Leia Mais »A PAUSA E O POUSO
“Os poetas são os que menos sabem, mas são os primeiros a saber”. Essa frase de Lacan, que li há pouco, vem confirmar a que intitula um livro que li há muito, na pequena biblioteca de uma tia: “E a Bíblia tinha razão…”. Nesse livro Werner Keller busca analisar ...
Leia Mais »O HOMEM QUE ESCUTAVA
No prólogo ficcional de “A maldição de Edgar”, de Marc Dugain, há uma frase emblemática: “A pretensa objetividade de um memorialista é tão nociva à verdade quanto a intenção de falsificar fatos”. Esse prólogo apresenta as “Memórias atribuídas a Clyde Tolson”, braço direito e amante de Edgar Hoover, o ...
Leia Mais »CLÁSSICOS, FLAUTA, PENA DE PAVÃO
Na cidade da minha infância, havia uma rua chamada Cantinho do Céu. Essa foi a lembrança que me veio quando, entre Curvelo e Sete Lagoas, de repente uma placa me indicou: Paraíso dos Pavões. E como estamos sempre em busca do Éden perdido, eis que já estou lá, depois de ...
Leia Mais »Trinta anos sem Drummond
Para nós mineiros, Carlos Drummond de Andrade não precisa de maiores apresentações. Com esse mineiro de Itabira, estamos em casa. O grande poeta do modernismo brasileiro foi uma pessoa simples, funcionário público, pai de família, sem apego a honrarias, sem apreço pelas formalidades. A poesia de Drummond, no entanto, não ...
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